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Austrália aprova o ‘Direito de Desconectar’: especialista discute possíveis impactos no Brasil

Medida pode diminuir sintomas de burnout e tornar jornada de trabalho mais produtiva 

 

Ignorar mensagens de trabalho fora do horário comercial? Essa é a nova lei aprovada na Austrália para aliviar profissionais que se sentem pressionados a ficarem disponíveis a qualquer momento para o trabalho. A medida chamada de ‘Direito de Desconectar’ busca equilibrar a vida pessoal e profissional de forma saudável, reduzindo taxas de burnout e horas extras não-remuneradas, e deve virar tendência daqui pra frente.

Com o advento de expansão global, especialistas acreditam que essa legislação pode inspirar debates em outros países, como o Brasil.

O impacto no Brasil

Carolina Merlin, especialista jurídica e em soluções de RH da Mauve Group, comenta que a implementação de uma lei semelhante no Brasil enfrentaria barreiras, mas seria viável. “O Brasil é marcado por uma forte hierarquia e por uma cultura de trabalho onde estar sempre disponível é visto como um meio de crescimento profissional. Além disso, muitos brasileiros precisam trabalhar em dupla jornada para complementar sua renda, o que torna o ‘Direito de Desconectar’ um desafio”, explica Merlin.

Ainda assim, ela acredita que o sucesso de casos internacionais pode estimular a discussão entre empresas, sindicatos e movimentos trabalhistas no Brasil. “Receber mensagens fora do horário de trabalho é uma prática comum, e com a crescente demanda por melhores condições de trabalho, uma legislação como essa pode, sim, ganhar espaço por aqui, especialmente com o foco cada vez maior em saúde mental.”

Prevenção do burnout

O Brasil lidera o ranking de prevalência de depressão na América Latina e tem uma das piores taxas de saúde mental do mundo, com 34% da população relatando enfrentar problemas nesse aspecto. A pressão constante para estar disponível e a sobrecarga de trabalho são fatores que agravam esse cenário.

A especialista também destaca a importância dessa medida para a saúde mental dos trabalhadores. Segundo Merlin, o ‘Direito de Desconectar’ seria crucial na prevenção do burnout, problema que afeta cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros. “Permitir que funcionários se desconectem completamente após o expediente, sem temer represálias, reduziria a sobrecarga de trabalho e as horas extras não remuneradas, que são fatores de risco para exaustão física e mental”, afirma.

O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de burnout, tornando essa política ainda mais relevante no contexto nacional. “Uma legislação nesse sentido teria um impacto significativo na qualidade de vida dos trabalhadores e na melhoria da saúde mental no país.

Vantagem competitiva para empresas

Merlin argumenta que, além de beneficiar os trabalhadores, a implementação de uma lei que permita o desligamento completo fora do horário comercial poderia ser uma vantagem competitiva para empresas no Brasil. “Numa realidade onde 86% dos trabalhadores brasileiros estão dispostos a trocar de emprego para preservar a saúde mental, implementar uma lei que permita se desconectar fora do horário combinado seria um passo fundamental para proteger e reduzir o estresse, a ansiedade e o risco de depressão na força de trabalho do país”, ressalta.

Ela acrescenta que a adoção dessa legislação, além de alinhar as práticas das empresas globais, seria fundamental para padronizar políticas de RH e garantir a conformidade com as leis locais. “O bem-estar dos funcionários está se tornando uma prioridade em todo o mundo, e o Brasil não pode ficar para trás”, conclui