Terapeuta ensina como transformar vulnerabilidade em força no Setembro Amarelo

Noélli Santiágo é especialista em sustentabilidade emocional indutiva: “reconhecer e aceitar nossas vulnerabilidades é o primeiro passo para transformar nossas vidas.”

 

Na sociedade contemporânea, a saúde mental e emocional frequentemente são negligenciadas, consideradas um tabu ou até mesmo sinais de fraqueza. Contudo, a especialista Noélli Santiágo está liderando um movimento de mudança, mostrando como a vulnerabilidade pode ser transformada em força. Para ela, em um mundo onde a resiliência é cada vez mais necessária, a coragem de abordar a saúde mental de forma aberta e honesta é mais vital do que nunca.

 

“Por muitos anos, a vulnerabilidade foi percebida como um ponto fraco, um aspecto do nosso ser que deveria ser escondido ou disfarçado. A sociedade, marcada por uma cultura de sucesso e perfeição, negligenciou a importância de discutir e cuidar da saúde mental”, afirma Noélli, especialista em sustentabilidade emocional indutiva, que desafia esse paradigma ao afirmar que reconhecer e aceitar nossas vulnerabilidades é o primeiro passo para transformar nossas vidas.

 

“A jornada para o fortalecimento mental e emocional não é linear, é um processo que exige paciência e persistência. A força verdadeira vem do processo de enfrentar desafios diariamente e fazer escolhas conscientes ao longo do caminho, não apenas da linha de chegada. É importante traçar objetivos claros e ter metas definidas”, ensina a terapeuta.

 

Essa perspectiva foi intensamente compartilhada por muitos atletas olímpicos e paralímpicos de 2024, que não apenas cuidam de sua saúde mental, mas também acreditam no poder de construir seu próprio destino. Por exemplo, Simone Biles, uma das maiores ginastas do mundo, falou abertamente sobre sua saúde mental, destacando a importância de equilibrar o bem-estar emocional com o desempenho atlético. Outro exemplo é a nadadora Katie Ledecky, que acredita que a força mental é crucial para alcançar o sucesso nas competições e na vida. O nadador Wendell Belarmino, medalha de prata nos 50m livre S11 para atletas com deficiência visual parcial ou total, contou que há três anos nem imaginava estar nas Paraolimpíadas, relembrando os momentos difíceis que passou quando precisou passar por uma cirurgia no ombro e lidou com problemas de saúde mental. Wendell ainda falou na importância de seu cão-guia em seu processo de recuperação.

 

A iniciativa da terapeuta em falar abertamente sobre saúde mental não apenas desmistifica o tema, mas também encoraja outros a fazer o mesmo. Ela defende que enfrentar as vulnerabilidades com honestidade e compaixão dá a força necessária para superá-las. “A naturalização da saúde mental é uma jornada de autoconhecimento e aceitação, onde o objetivo é não apenas sobreviver, mas prosperar”, pontua.

 

Noelli destaca que a saúde mental não é apenas uma questão individual, mas uma necessidade coletiva. Ao integrar práticas de autocuidado e desenvolvimento pessoal em sua metodologia, ela ajuda indivíduos a desbloquear seu potencial completo, mostrando que a verdadeira força vem de um equilíbrio entre mente, corpo e espírito. A transformação da vulnerabilidade em força, segundo Noelli, não é um processo instantâneo, mas uma prática contínua de decisão e merecimento, auto aceitação e resiliência. “Ao encarar a saúde mental como um aspecto natural e essencial da vida, abrimos caminho para um futuro onde a autenticidade e a conexão humana são valorizadas acima de tudo”, comenta.

 

Aproveitando a visibilidade do Setembro Amarelo, mês que promove a campanha de prevenção ao suicídio, a terapeuta faz uma reflexão sobre a importância de falar sobre o que sentimos e, principalmente, de procurar ajuda quando necessário. “O suicídio é uma realidade dolorosa, mas que pode ser evitada. O caminho para a cura muitas vezes começa quando damos o primeiro passo: falar sobre o que está nos machucando. E o trabalho de terapeutas como eu está aí para ajudar quem busca não apenas alívio, mas também uma jornada de autodescoberta e fortalecimento emocional’, observa a terapeuta.

 

Ela continua: “ao participarmos desta campanha, estamos ajudando a salvar vidas, a criar mais empatia e a promover o acolhimento de quem precisa. Se você está passando por um momento difícil ou conhece alguém que está, lembre-se: buscar ajuda não é fraqueza, mas sim, um ato de coragem. Como nos lembra o Setembro Amarelo, cuidar da mente é cuidar da vida”, finaliza.

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