Ataques de Israel na Faixa de Gaza deixam 50 mortos somente na manhã desta terça, 15

Palestinos são flagrados em oração pela morte de pessoas no ataque de hoje.

 

Na manhã desta terça-feira, 15 de outubro, Israel intensificou os ataques em várias regiões da Faixa de Gaza, ocasionando na morte de mais de 50 pessoas, segundo o governo local, controlado pelo Hamas. Uma casa foi atingida por um míssil, matando dez integrantes da mesma família na cidade de Beni Suhaila, de acordo com informações do Hospital Nasser, em Khan Younis, para onde as vítimas foram levadas.

 

Na cidade vizinha de Fakhari, outro ataque aéreo atingiu também uma casa, resultando na morte de cinco pessoas, incluindo três crianças e uma mulher, de acordo com o Hospital Europeu, para onde as vítimas foram transportadas. Outras 17 pessoas foram mortas em um combate por terra perto de Al-Falouja, na cidade de Jabalia, o maior dos oito campos de refugiados históricos de Gaza. Já em um ataque aéreo no subúrbio de Sabra, na Cidade de Gaza, 14 pessoas estavam em três casas que foram atingidas pelo bombardeio. O serviço de emergência civil local disse que recuperou dois corpos, enquanto outras oito pessoas foram mortas quando uma casa foi atingida no campo de Nuseirat, no centro de Gaza.

 

No entanto, embora as agências internacionais afirmem que as Forças Armadas de Israel estejam mais focadas nas incursões aéreas e terrestres no Líbano para atuar contra o Hezbollah, os bombardeios continuam na Faixa de Gaza, local que Israel vem atacando há mais de um ano e causando muitas mortes. Vale destacar que um dos focos da ofensiva atual em Gaza é o campo de Jabalia, que fica no norte. O Hamas afirmou que seus combatentes vêm travando “batalhas ferozes” com as forças israelenses dentro e ao redor de Jabalia. A operação levantou preocupações entre palestinos e agências da ONU de que Israel quer expulsar moradores do norte. O governo israelense nega tal acusação.

 

Além de Jabalia, o Exército israelense enviou tanques para as cidades próximas de Beit Lahiya e Beit Hanoun, com o objetivo declarado de acabar com os combatentes do Hamas que estão tentando se reagrupar lá. “Em meio a intensas hostilidades em andamento e ordens de evacuação no norte de Gaza, as famílias estão enfrentando medo inimaginável, perda de entes queridos, confusão e exaustão. As pessoas devem ser capazes de fugir com segurança, sem enfrentar mais perigos”, disse o chefe da Cruz Vermelha em Gaza, Adrian Zimmerman. “Muitos, incluindo os doentes e deficientes, não podem sair, e eles permanecem protegidos pelo direito internacional humanitário.”

 

Zimmerman também pediu que as unidades de saúde no norte fossem protegidas, afirmando que os hospitais estavam lutando para fornecer serviços médicos. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde de Gaza disse que o Exército israelense ordenou que os três hospitais que operam lá fossem evacuados, mas a equipe médica disse que estava determinada a continuar seus serviços, mesmo estando sobrecarregada pelo aumento diário do número de vítimas.

 

Na segunda-feira, o Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, condenou o nível de vítimas civis no norte de Gaza, que abriga bem mais da metade dos 2,3 milhões de pessoas do território. De lá, centenas de milhares de moradores foram forçados a fugir de suas casas em meio a bombardeios na primeira fase do ataque de Israel ao território. No entanto, cerca de 400.000 pessoas permaneceram, de acordo com estimativas das Nações Unidas.

 

No total, mais de 42 mil pessoas já morreram em um ano de conflitos no território palestino — quase 20% eram crianças, de acordo com o governo local. O conflito levou à destruição de grandes áreas de Gaza e deslocou cerca de 90% de sua população de 2,3 milhões de pessoas, segundo as autoridades locais. Israel lançou a ofensiva contra o Hamas após o ataque do grupo militante em 7 de outubro a Israel, no qual 1.200 pessoas foram mortas e cerca de 250 foram feitas reféns em Gaza, segundo números divulgados por Israel.

 

Foto: Imagem Pública

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