Furacão Milton deve tocar a Flórida quarta, 9 de outubro: autoridades declaram estado de emergência
Pouco tempo depois da passagem do furacão Helene, no fim de setembro, o estado americano da Flórida se prepara para a chegada do furacão Milton, que em apenas quatro horas subiu da categoria 2 para a 5, escala máxima da intensidade de furacões, desde segunda-feira, 7 de outubro, segundo informações do Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC, na sigla em inglês). Por ter ganhado uma força “explosiva”, as autoridades do estado pedem para a população deixar o local ou, os que não puderem, se prepararem para os danos catastróficos que o evento trará à região.
O fenômeno deve tocar o solo na Flórida na quarta-feira, 9 de outubro ,e o governo local prepara a maior evacuação no estado nos últimos oito anos — desde o furacão Irma, em 2017, e fechou todos os portos nesta terça-feira, 8. A mudança de categoria assustou especialistas e, segundo o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o furacão pode ser “um dos piores dos últimos cem anos na Flórida.” Por isso, ele pediu, ainda, que todos obedeçam às autoridades, pois se trata de uma “questão de vida ou morte. Saiam agora, agora e agora”, afirmou ele, de forma enfática, que também cancelou a ida dele a Angola e Alemanha para acompanhar o evento climático, declarando estado de emergência.
Já o governador da Flórida, Ron DeSantis, afirmou, em coletiva de imprensa, que são esperados ventos máximos sustentados de até 285 km/h, segundo o Centro Nacional de Furacões, informando que o centro da tempestade estava a cerca de 1.085 quilômetros ao sudoeste de Tampa no final da tarde desta segunda, 7. Ele aumentou para 51 o número de condados em estado de emergência.
Parte da população de Tampa já começou a deixar a cidade, seguindo uma orientação das autoridades da Flórida, que começaram a emitir ordens de evacuação para moradores de seis condados ao redor da Baía de Tampa, que abriga quase 4 milhões de pessoas. Longos trechos de trânsito foram registrados na Interstate 75, rodovia que vai para o norte do estado. Cerca de 15 milhões de pessoas correm o risco de sofrer inundação e 11 milhões consequências diretas do tornado. No local, já começa a faltar combustível, além de água e alguns mantimentos. Todos os pedágios estão abertos. Já o Aeroporto Internacional de Tampa disse que interrompeu os voos às 9h desta terça-feira, 8, 10h no horário de Brasília. O aeroporto também informou, pelas redes sociais, que o local não é um abrigo para pessoas ou seus carros.
O percurso do furacão Milton
O Milton, que se formou no Golfo do México, ainda não tocou o solo em nenhum país. Na manhã desta terça-feira, 9, ele passou perto da península de Yucatán, no norte do México, onde grandes ondas e ventos fortes são previstos. A previsão é que o fenômeno atinja a área metropolitana de Tampa, densamente populosa — a população é de mais de 3,3 milhões de pessoas — com um potencial impacto direto e ameaçando a mesma faixa de costa que foi devastada por Helene.
O Milton é um furacão considerado raro por ter surgido do Golfo do México e as tempestades parecem desviar de Tampa, com a maioria dos fenômenos que surgem na região passando bem ao norte da cidade. A última vez que a área de Tampa foi atingida pelo olho de um grande furacão foi em 25 de outubro de 1921. O fenômeno não tinha nome oficial, mas ficou conhecido localmente como a tempestade de Tarpon Springs, pela cidade costeira onde tocou terra. A maré de tempestade desse furacão, estimado como Categoria 3 com ventos de até 207 km/h, foi registrada em 3,3 metros. Pelo menos oito pessoas morreram, e os danos foram estimados em US$5 milhões (cerca de R$27,5 milhões) na época.
Espera-se também que Milton enfraqueça ligeiramente para uma tempestade de Categoria 3 quando atingir a costa na região da Baía de Tampa, que não sofreu um impacto direto de um furacão em mais de um século. Ele pode manter a força de furacão enquanto avança pelo centro da Flórida em direção ao Oceano Atlântico, o que pouparia em grande parte outros estados devastados por Helene, que matou pelo menos 230 pessoas em seu caminho da Flórida até as Carolinas. O último furacão a atingir a categoria 5 ao tocar o solo nos EUA continentais foi o Michael, em 2018.
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