Ministério Público da Venezuela pede prisão de Edmundo González, líder da oposição

Tribunal emite mandado de prisão para Edmundo González sob acusação de incitação e outros crimes 

 

O gabinete do procurador-geral da Venezuela afirmou, nesta segunda-feira, 2 de setembro, que um tribunal emitiu um mandado de prisão para o líder da oposição da Venezuela Edmundo González, acusando-o de incitação e outros crimes. O aviso foi dado em meio a uma disputa sobre o imbróglio se González ou o atual presidente do país, Nicolás Maduro, venceram a eleição de julho. Foi o próprio procurador-geral Tarek Saab quem compartilhou uma foto do mandado com a agência de notícia Reuters por meio de uma mensagem no aplicativo Telegram.

 

Desde julho, os ânimos estão exaltados no país. O Conselho Eleitoral Nacional da Venezuela e seu tribunal superior declaram que Maduro foi o vencedor da eleição com pouco mais da metade dos votos, mas contagens publicadas pela oposição mostram a vitória de González. No entanto, a oposição, alguns países ocidentais e órgãos internacionais, em que se inclui um painel de especialistas das Nações Unidas, afirmaram que a votação não foi transparente e exigiram a publicação das apurações completas. Com isso, a oposição publicou o que diz serem cópias de mais de 80% dos resultados das urnas em um site público, enquanto o conselho eleitoral afirmou que um ataque cibernético na noite da eleição impediu a publicação dos resultados completos.

 

Outros líderes de oposição estão na mira no Ministério Público

 

O procurador-geral Tarek Saab também iniciou investigações criminais contra a líder da oposição María Corina Machado e o site de contagem de votos da oposição, enquanto detenções de figuras opositoras e de manifestantes continuaram nas semanas que se seguiram à votação. Os protestos resultaram em pelo menos 27 mortes e cerca de 2.400 prisões.

 

Enquanto isso, o promotor Luis Ernesto Duenez solicitou a emissão de um mandado para González por usurpação de funções, falsificação de documentos públicos, instigação à desobediência da lei, conspiração e associação, todos supostamente cometidos contra o estado venezuelano.

 

Um porta-voz de González disse que eles estavam aguardando qualquer notificação de um mandado, mas não fez comentários adicionais. A oposição sempre negou ter cometido qualquer irregularidade. González também ignorou três convocações para prestar depoimento sobre o site, potencialmente permitindo que um mandado fosse emitido para ele, nesse caso.

 

Advogados consultados por agências de notícias disseram que a lei venezuelana não permite que pessoas com mais de 70 anos cumpram penas em prisões, exigindo prisão domiciliar. Vale destacar que González completou 75 anos na semana passada.

 

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