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Tensão em Gaza: Hezbollah responde com disparo de mais de 100 foguetes contra Israel após sofrer maior ataque desde o começo da guerra na região

Exército de Israel determina que moradores da fronteira norte fiquem perto de abrigos antibombas 

 

A tensão entre Líbano e Israel tem crescido a cada dia. Desta vez, o Hezbollah disparou mais de 100 foguetes contra localidades do norte do país israelense nesta sexta-feira, 20 de setembro, um dia após as Forças Armadas israelenses executarem o maior ataque aéreo contra posições do grupo em solo libanês desde o começo da guerra em Gaza. Com a situação na fronteira entre os dois países se degradando rapidamente após a detonação de milhares de pagers e walkie-talkies do movimento libanês, atribuído a uma ação secreta israelense — que não comenta o caso — o Conselho de Segurança da ONU se reúne ainda nesta sexta para tratar do assunto e pedir cautela. 

 

A situação foi de muita tensão: sirenes e sinais de alerta soaram em cidades e vilarejos ao longo de toda a fronteira norte de Israel, em meio às rodadas de foguete disparadas pelo Hezbollah. Segundo noticiado por agências internacionais, as Forças Armadas israelenses confirmaram que 60 projéteis foram lançados contra a cidade de Sefad, sendo parte deles abatida e o restante caindo em áreas abertas. Menos de 30 minutos após o primeiro ataque, uma segunda rajada de foguetes foi detectada pelas autoridades.

 

Diante disso, as forças de segurança israelenses emitiram alertas para várias regiões do norte do país, num momento em que se tornam maiores as tensões com o Hezbollah. Inclusive moradores de comunidades na Galileia foram advertidos a se manterem perto de abrigos antibomba, diante das ameaças do Hezbollah de intensificar os combates.

 

Por outro lado, o secretário-geral do movimento libanês, Hassan Nasrallah, prometeu que Israel sofreria uma “punição justa” após a detonação de equipamentos de comunicação do grupo — uma ação que deixou 37 mortos e mais de 3 mil feridos. Enquanto o líder do grupo xiita fazia promessas de retaliação em um discurso televisionado, Israel lançou um ataque aéreo em larga escala, considerado o maior contra o vizinho do norte desde o início das hostilidades, contra 100 bases de lançamento de foguete. O Exército israelense também afirmou ter destruído um depósito de armas da organização e prédios ligados à estrutura do grupo.

 

Israel e Hezbollah: antigos rivais que voltam a trocar hostilidades entre si

 

No entanto, não é de hoje que Israel e Hezbollah são rivais regionais e inimigos em outros confrontos, como durante a Segunda Guerra do Líbano em 2006. Em solidariedade ao grupo palestino Hamas, o movimento libanês lançou ataques contra o norte de Israel — principalmente com o disparo de foguetes, mísseis e projéteis de artilharia, que já mataram civis e militares. Antes dos disparos desta sexta-feira, o Hezbollah já havia assumido responsabilidade por pelo menos 17 ataques contra 14 alvos militares no norte de Israel na quinta-feira.

 

A ONU, os EUA e várias potências internacionais, que ainda tentam um cessar-fogo na Faixa de Gaza, pediram moderação diante do receio de uma escalada de violência na região, enquanto o Conselho de Segurança da ONU convocou uma reunião para esta sexta-feira, convocada a pedido da Argélia, único representante árabe do conselho.

 

De Beirute, o primeiro-ministro libanês, Nayib Mikati, apelou à ONU para que tome “uma posição firme para travar a agressão israelense contra o Líbano e a guerra tecnológica que está travando” pouco antes do início da reunião. O chanceler do país, Abdullah Bu Habib, disse que apresentará uma queixa ao Conselho de Segurança para denunciar a “agressão ciberterrorista de Israel”, que ele descreveu como um “crime de guerra.”

 

Explosão de dispositivos: Hezbollah culpa Israel pela ação, que não comentou o ataque

 

O Hezbollah culpa Israel pela explosão de dispositivos de comunicação de membros da formação xiita na terça e quarta-feira em várias regiões do Líbano — algo que Israel não admitiu. Em discurso, Nasrallah acusou Israel de ter ultrapassado “todas as linhas vermelhas” e denunciou um “massacre” que poderia ser considerado “uma declaração de guerra.”

 

Israel, que não comentou o ataque, indicou nesta semana que a guerra contra o Hezbollah seria o novo foco em sua batalha contra inimigos regionais, em conexão com a guerra em Gaza. O ministro da Defesa Yoav Gallant foi taxativo ao declarar na quarta-feira que o “centro de gravidade” da guerra estava se deslocando “para o norte”, em direção ao Líbano.